sábado, 26 de janeiro de 2013

Se foi nesse abraço que eu me perdi...


Eu poderia lembrar do que foi bonito. Como quando eu te contei do ano novo, das horas que passei tendo alucinações que você estava na minha cama. Quando você ouviu a combinação dessas duas palavras, eu vi seu corpo tremer como se um arrepio o percorresse inteiro de súbito, uma descarga elétrica de lembranças das quais você foge o invadisse por completo. Mas será que a beleza desse arrepio que durou um segundo compensou a dor das horas que se arrastavam enquanto a saudade me sufocava e meu próprio delírio me ludibriava?

Quando eu te abracei de repente, você chorou, eu te embalei, e você disse que eu te devolvi pra você mesmo. E agora? Quem vai me devolver pra mim?

terça-feira, 8 de janeiro de 2013


Foi nessa tarde insignificante de terça-feira que encontrei a redenção. Debruçada sobre a janela, contemplando os bancos vazios onde costumávamos ficar, percebi que já não tinha por que sentir dor. Uma criança brinca. Uma ave atravessa o céu. Um cenário pelo qual meus olhos já se cansaram de percorrer e chorar. Banal. Porém, há pouco, choveu. A chuva foi o prêmio de consolação por ter sobrevivido calada todos esses meses. A redenção é a verdadeira coroa, afinal. Em outros tempos, achei que ela me traria você. Ou que você, sorrindo, a traria pra mim. Talvez eu tenha achado que uma coisa dava na outra. Não. É exatamente o contrário. Veja só, eu já nem esperava pela sentença e eis que chega a absolvição...