quarta-feira, 3 de abril de 2013
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Esperança minguante
Oh, lua, não me olhes tão tristonha desta fresta de janela: Eu também estou diminuindo um pouco a cada noite.
domingo, 31 de março de 2013
Foi aquele capricho de chamar de amor sua aparição, mesmo distante, míope e sem saber sequer seu nome, que me levou pro seu lado dias
depois. Então entendi que não é verdade que aquilo que a gente procura só chega
quando menos se espera. Eu te encontrei no dia em que saí de casa sedenta por
algo pra chamar de felicidade, passei a noite te observando e por você sendo
observada e o que teria acabado aí recomeçou porque, teimosa, eu não desisti de
te encontrar nessa vida mais uma vez. E assim, dividimos mar, cama e sonhos. Entre olhares,
sorrisos e incredulidade que, depois de dez horas grudados, a gente não se dava
ao trabalho de disfarçar. Você ali, que parecia mais intrigante a cada vez que
eu abria os olhos, era verdade mesmo. Assim te imaginei e assim você me apareceu.
E me olhou, me sorriu e me beijou; e se demorou deliciosamente nesses três impulsos, como se cada um deles fosse o último, como quem está exatamente onde gostaria. E eu fui feliz. Mesmo sem garantia de que isso não
seria só um relato no diário no dia seguinte, um desejo, uma quase necessidade
de contar pros meus papéis que o amor existe sim, ainda que só dure dez horas. E sigo multiplicando esses dez por dez, pra dar tempo de suspirar por outras tardes degradês e outras noites de
lua cheia iguaizinhas àquela, pra dar tempo de lembrar como é não estar tão só...
Pra dar tempo de, em segredo, esperar você voltar.
“Daria pra pintar todo o azul do céu, dava pra encher o
universo da vida que eu quis pra mim. Quando eu mergulhei fundo nesse olhar,
fui dono do mar azul, de todo azul do mar. Foi assim, como ver o mar. Foi a
primeira vez que eu vi o mar. Daria pra beber todo o azul do mar.”
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Na tua ausência, te roubo um beijo. Te mancho de batom. Na tua cama, faço amor com teu fantasma. Não há velas. Quero velas! Vou buscá-las... Incendiar seu quarto. Onde guardam as velas na sua casa? Por que pergunto? Se eu não sei, imagine você. Sorriso. Sou riso. Porque não posso acender velas. Velas são pros santos. E santos não riem. É noite. É tão tarde. Estou nua. Há uma luz aqui. É o teu computador. Num gesto de incentivo, ele pisca pra mim, me incita. Ingênuo e inerte, você nem pisca. Me excita. Vamos dançar. Não há velas, mas há fogo. Chamas. Tu. Me chamas. Eu vou. Eu voo. Sorris. Só ris. As palavras se camuflam nas roupas espalhadas pra nos ver fazer amor. E desfazer amor, só pra fazer de novo. Mais rápido agora. Mais molhado agora. Mais dentro agora. Mais... Ai... Agora! Até que eu já não te vejo. Me desfiz com o fantasma na fumaça. Onde estamos? Não há espelhos aqui. Cadê minhas fotos? Quero vê-las! Vou buscá-las... Restituir pedaços. Onde guardam as respostas na sua casa? Procuro, divago, te trago. Você me olhando. Ou o fantasma. Às vezes não os distingo. Não sei de qual gosto mais. Ele tira minha roupa mais devagar, mas seu gosto é mais salgado. “Seu” gosto é o gosto de quem? Dele ou o seu? O teu! Uma letra diferencia, te faz parecer mais substancial, te dá uma dose a mais de sal, mas é ele quem não se cansa de mim. Vamos morar juntos, transar todos os dias, ele acaba de me dizer baixinho que é só depois do gozo que se faz amor.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Se você não me amasse nem gritasse pro mundo ouvir
E se você não sofresse ao dizer “tenho que ir”
Se não me chamasse baixinho pra só o silêncio escutar
Se não trancasse a porta pra só ele te ouvir chorar
E se de repente a vida fosse pra sobreviver
Se não tivesse sorrido quando meus pés brincaram com os seus
E se não se indignasse ao me ouvir dizer “adeus”
Poderia não ter chorado no instante em que me abraçou
Ou então não ter tremido ao me ouvir dizer “amor”
E se de repente a vida fosse pra sóbrio viver?
Tenho que ir
Adeus
Amor
sábado, 26 de janeiro de 2013
Se foi nesse abraço que eu me perdi...
Eu poderia lembrar do que foi bonito. Como quando eu te contei do ano novo, das horas que passei tendo alucinações que você estava na minha cama. Quando você ouviu a combinação dessas duas palavras, eu vi seu corpo tremer como se um arrepio o percorresse inteiro de súbito, uma descarga elétrica de lembranças das quais você foge o invadisse por completo. Mas será que a beleza desse arrepio que durou um segundo compensou a dor das horas que se arrastavam enquanto a saudade me sufocava e meu próprio delírio me ludibriava?
Quando eu te abracei de repente, você chorou, eu te embalei, e você disse que eu te devolvi pra você mesmo. E agora? Quem vai me devolver pra mim?
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Foi nessa tarde insignificante de terça-feira que encontrei
a redenção. Debruçada sobre a janela, contemplando os bancos vazios onde
costumávamos ficar, percebi que já não tinha por que sentir dor. Uma criança
brinca. Uma ave atravessa o céu. Um cenário pelo qual meus olhos já se cansaram
de percorrer e chorar. Banal. Porém, há pouco, choveu. A chuva foi o prêmio de consolação por
ter sobrevivido calada todos esses meses. A redenção é a verdadeira coroa,
afinal. Em outros tempos, achei que ela me traria você. Ou que você, sorrindo,
a traria pra mim. Talvez eu tenha achado que uma coisa dava na outra. Não. É
exatamente o contrário. Veja só, eu já nem esperava pela sentença e eis que chega a absolvição...
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