Sangue. Isso que jorra é sangue. Isso que mancha nossa
parede, que se alastra pelo nosso chão. Humanidade. Não chega a ser grandeza e
nem chega a deixar de ser. Isso que por pouco não me mata me distingue do que
não tem vida.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Não sei por que insisto. Não sei que fio de esperança é esse que não se rompe, que só ameaça, e sobre o qual estou suspensa: balanço entre o sim e o não e não despenco para lado algum. Pior que me manter nesse equilíbrio adverso é fazê-lo enquanto estampo o mais brando sorriso. Eu vendo a minha dor pra alimentar o vício. Eu troco todo o amor por um grama de ilusão.
terça-feira, 14 de maio de 2013
Observo o tremor das minhas mãos. Parada, em silêncio. Já
não luto contra isso. Acho curioso você mexer tanto comigo. Assim, meio que de
propósito. Um despropósito. Mas não procuro com a velhas urgência minhas defesas. Porque
não as tenho. Eu nunca as tive. Percebo isso agora olhando seus olhos
pretos impenetráveis. Que estupidez medir forças com eles...
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Passo pelo parquinho que foi tantas vezes cenário dos meus sonhos, o parquinho dos nossos planos frustrados, onde eu te esperaria para, a partir daí, seguirmos juntos. O parque era a única certeza: o ponto de encontro. Seria muita pretensão da gente querer prever o depois. Um filme do Godard ou um mousse de maracujá? De repente, não sei por que, nos imaginei dançando essa música dos Smiths: a quarta do primeiro CD. As rimas que descrevem nosso quase caso são tão acidentais quanto ele mesmo. Tão acidentadas quanto as notas da canção que nos convida para a dança. Como o erro de grafia no letreiro do brinquedo: "alto pista". Poderíamos ter rido disso. Sequer nos encontramos. E hoje, não sei se passo pelo parque ou se é ele que passa por mim. Nesse curto intervalo, ouço o alarme do brinquedo cujo título está errado disparar. O tempo acabou. As crianças descem de seus carrinhos a contragosto. É assim que me sinto. "E se por acaso a gente se esbarrasse justamente aqui?" Insisto nessa fantasia, desacelerando os passos pra dar tempo de você aparecer. Podíamos ir a museus; turistas, em nossa própria cidade. Podíamos ir a motéis; turistas, em nossa própria liberdade. Poderíamos desbravar todos os mundos, samba na lapa, coco de roda, andar de bicicleta em Amsterdã. Um show do Milton, dessa vez comigo. E nada mais de lágrimas, mas sorrisos coloridos. "Quem sabe isso quer dizer amor?" Quem? Poderíamos somente nos ver também. Acenar educadamente, talvez seguir, separados, sem perder tempo com essa trabalheira toda de ser feliz. Seria muita pretensão da gente querer prever o depois.
http://www.youtube.com/watch?v=j68Mxg2ux78
http://www.youtube.com/watch?v=j68Mxg2ux78
sábado, 11 de maio de 2013
Teu olho é verde. Diz pra eu seguir em frente. Mas é mentira. É verde de mar. Canto da sereia, quer me afogar. Você não sabe que eu vivo submersa nesse oceano de você faz tempo. Faz frio. Já nem sei quanto tempo, quanto frio. Mas quanto mais eu te vejo por todos os lados desse azul, menos você está. O que é que eu tô dizendo? Já nem sei se é verde, se é azul. Mas é mentira. Canto da sereia.
terça-feira, 7 de maio de 2013
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Eu tinha vontade de gritar. Lembra? Quando você me perguntou? Mas não era gritar no meio da rua ou na janela de madrugada, com uma garrafa de cachaça na mão não. Era gritar do seu lado, a qualquer hora, de dia de noite, gritar. Do lado não, na sua frente, sóbria, olhando nos seus olhos. Gritar! Porque você é tão bonito... Eu também tinha vontade de tirar minha roupa, rasgar minha roupa inteira no meu surto mais psicótico e exigir que você olhasse pra mim. Eu não tô falando de sexo não, pode tirar a mão daí, eu já sei você é bom em me devorar e virar pro lado. Tô falando de amor, o mesmo amor que você proclamava mas que nunca teve coragem de sentir na minha frente. Cadê esse amor? Olha nos meus olhos e me fala onde é que ele tá que eu juro que visto minha roupa agora, nem calço os chinelos, eu rolo escada abaixo se for preciso, mas garanto pra você que sou capaz de encontrá-lo.
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