segunda-feira, 7 de julho de 2014

Por favor, não me mostre essas imagens: Eu conheço uma menina que todas as noites procura algo no meu lixo. Por favor, eu sou a mulher que esteve de mãos dadas com o amigo do meu namorado. E todos nós só queríamos vingança, e a esse filho que cresce em nossa barriga e nunca nasce, demos o nome de amor. E nós tínhamos raiva do mundo. Por favor, eu não quero lembrar. Por favor, isso dói.
Você perguntará insistentemente se estou bem, mas eu não tenho tanta certeza de que se importe. Não estou tentando criar memórias pro futuro, enquanto sua cortina balança pra lá e pra cá. As lembranças devem vir naturalmente. Mas nesse momento, eu gostaria de ir pra casa, e não ter que pensar muito sobre a conversa marcada pra hoje. Não sei por que eu nunca pus os pés no chão. De algum modo, fazê-lo agora dói um pouco. Eu não quero falar sobre isso de novo e ver a lua se esconder por trás da nuvem. Talvez agora eu possa ser forte. Nunca tive amigos, mas posso contar com a sorte.
Estou aqui de novo. É quarta-feira, véspera de um feriado que me pegou de surpresa. E me vieram as palavras, enquanto você foi a cozinha pegar um copo d'água e deixou o livro do Neruda comigo. Enquanto você retirou o violão da case e tocou alguns dos seus rocks. Você toca o mesmo riff várias vezes. Nesse meio tempo, eu sou só minha, ainda que sua. Estou aqui de novo, sentada na sua cama, de onde sempre me brota o suor. Hoje me brotam palavras. Sábado, olhar pra você me inspirou silêncio: A poesia era seu rosto e, por mais que eu te bebesse, restava muita sede. Estou aqui de novo. As palavras me envolvem, como a pele envolve um camaleão. Será que estou aqui, enquanto olho pro seu guarda-roupa e pouso o olhar sobre algo meu? Será que estou aqui, agora que você me olhou e eu não sei o que disse? Sua voz é sexy. Minhas pernas estão abertas. Será que estou aqui? Ou é a minha bolha que é transparente? Estou aqui de novo e meus pés se sentem à vontade nos seus lençóis. De repente, meus medos bobos de hoje são menores que os do ano passado. Crescer pode significar medos a menos. Às vezes, pode até ser bom. Não sei se estou aqui, mas estão aqui meus sapatos e seus lençóis listrados. E minhas unhas e sua caneta azuis.
Ele diz que eu deveria ser canhota: Só uso a mão esquerda pra gesticular. Estou falando sobre um desimportante, e ele ouve - não as palavras, mas os signos. Enquanto falo, ele me observa cautelosamente, o olhar passeia pelo meu rosto e eu finjo não me perder.
Tudo que ouço é minha própria voz soluçando. Quero ser minha amiga de novo. De alguma forma, estou mais perto disso. Sinto-me mais verdadeira. Mortal, chorona, medrosa e feia.

Rabiscos molhados de águas salgadas

A intimidade não suporta a distância
O carinho luta contra a rejeição
A esperança já não pensa no assunto
Melhor não ouvir nada do que ouvir não
As lágrimas embaçam a visão
Sua ausência está por todos os lados
E o mar continua o mesmo
Eu não quero encarar os fatos
Nem que você me faça rir
Com qualquer piada idiota
Pr'eu esquecer por um segundo
Sua fuga da minha rota

Eu te vi tão perdido quanto eu
Eu mal consigo acreditar no que aconteceu

sábado, 17 de maio de 2014

(...) Mas um punhado de dias se arrastou sem qualquer permissão minha. Era preciso viver, ainda que sem vida. Era preciso estar acordada a maior parte do dia. Foi num desses momentos, numa noite de luzes bonitas, num sarau chamado "Inspire", que um moço e sua aparição devolveu-me a inspiração. Veio à mesa onde eu estava cumprimentar meu amigo do lado, com um sorriso tão grande que tive vontade de botá-lo na boca só pra saber que gosto tinha. Eu não podia conter o olhar-fascínio, que o seguiu até vê-lo sair de perto. Impossível ter esquecido aquele rosto visto algum tempo antes em algum lugar qualquer. E era o mesmo que há poucos minutos havia me encantado com seus versos no mural, bem ao lado dos meus. Minha poesia e a dele, na mesma parede. Que bela coincidência. Eu não resisti à vontade. Fui ao seu encontro, elogiei seus versos e ofereci meu melhor sorriso, que se derreteu à sua reação. Foi assim que começou essa história, em dezembro do ano passado. Realmente não esperava encontrar alguém que superasse tanto qualquer ideal, e ainda hoje fico incrédula com tal capacidade. E eu? Eu já não ouço músicas românticas. Não escrevo mais poesias. É como se eu nem fosse a mesma menina encantada de antes, sabe... Aquela que em tudo via o rosto amado. Mas há algo que eu não posso evitar, e olhe que eu tentei: O amor. Eu poderia dizer o porquê, mas pra qualquer um que o conheça, que tenha cinco minutinhos perto dele, os porquês são todos óbvios. Os motivos de amá-lo pulam aos nossos olhos. Se cinco minutos teriam sido suficientes, imagine o que se passa aqui dentro agora.

Durante esses cinco meses em que segurei sua mão, fiz de tudo pra conter essas três palavras. Eu fugi delas como o diabo da cruz. Como se meus olhos não te gritassem isso o tempo inteiro. Como se os seus não tivessem o poder de me desnudar a alma, simplesmente ao tocar-me de leve.

Não há o que fazer...
















Eu amo você.




http://www.youtube.com/watch?v=U7E5nlHrGII