como é que se conversa com as partes mais frágeis de si? como é que faz pra se aproximar dos traumas que mais atordoam? se eu falei baixo e queria gritar. se eu não quero mais insistir na fuga... é que acho que cansei de viver fingindo. mas o impulso de ir embora não demora a se contradizer. vale a pena sair, eu que estive tanto tempo aqui?
não é sobre um amor que traiu. um amante que desamou. não é sobre um amigo que esqueceu. não é sobre um namoro que acabou. nem é sobre um ex namorado que cumpriu a promessa de nunca mais ligar...
isso é sobre mim.
e essa parece a despedida de alguém que não sabe se sabe ir embora. mas descobrirá. eu descobrirei se fico por medo ou vou pro voo.
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
sábado, 19 de julho de 2014
A brisa e tu sonrisa
Esqueci que precisava me defender de você
Quando me dei conta de querer te proteger
Da professora bruxa, do sol, do mar, da chuva,
Do meu olhar de dúvida
Você me despetala, e eu te quero bem
Você me sopra, meu caule flutua
Fico nua
sexta-feira, 11 de julho de 2014
daquela visita inesperada
aquele sorriso que você deu
e depois desviou o olhar do meu
mas eu vi!
e eu também sorri...
terça-feira, 8 de julho de 2014
"Eu que não fumo, queria um cigarro." Um pedaço de papel se dobra e desdobra. Eu preciso parar de ser tão óbvia. Uma mecha de cabelo se enrola e desenrola. Por que não sei disfarçar, como toda boa atriz? O olhar se lança ao longe. A cabeça diz que sim. Você ri. As unhas tamborilam uma superfície qualquer. Te olho. O dente morde a unha. Desvio. Faço menção de falar. Não falo. As lágrimas retrocedem dos olhos para a garganta. Uma cai. Nada demais. Mantenho a calma. Fecho os olhos. Seguro a onda. Estou bem. O abraço esconde a lágrima, mas revela a pulsação. Você sente o meu coração. Respira com dificuldade. Sussurra que sente saudade. Eu também. Tá tudo bem.
segunda-feira, 7 de julho de 2014
O espelho tem olhos vermelhos. O carro desliza na chuva.
Recosto a cabeça no banco. E me deixo ir. E te deixo ir. Piscam teus olhos e o
semáforo apressado. Passa por nós tão rápido quanto a noite durou. Enquanto eu
balbucio uma canção que me possa ser. Porque estou cansada. Muito longe do
início do jogo. Minha língua é o sinal que ela dá. Seu discurso condiz com o
que o corpo conduz? Eu estava sozinha quando o eco gritou “eu também”? Quais
eram mesmo as palavras? Só me lembro do que senti. A parede também tremeu. Não rememorei as cenas,
eu juro. Elas voltaram por si próprias, sangrando. Tão vivas quanto antes. Tão
vivas quanto ontem. Quanto você nos meus braços, ofegante. Refletindo minha
expressão, como quem sente o mesmo prazer agudo sem ser penetrado. Lambendo
minhas feridas com a janela aberta. A chuva não desfaz o fogo. Molha a rua. Abro
os braços. Como quem não sente medo, porque já perdeu. Porque nunca teve. Como
quem não sente dor e dá a outra face. A outra pele. Todas. E você entra. Eu não
seria tão sádica de te falar dessas bobagens quando você precisa dormir. Não
tanto quanto masoquista pra senti-las até perder o sono. Ficou em algum ponto
da estrada. Talvez num quarto barato. Talvez num barato sóbrio. Uma embriaguez
lúcida. Um sorriso sério. Um sarcasmo inédito para perguntas retóricas.
Arrepia. Nossas crianças morrendo em câmera lenta.
Mas da janela, eu vejo a cena crua, em tempo real e sem maquiagem.
Mostre-a de um ângulo ainda mais ácido.
Misture tragédia com sarcasmo.
E traga as telas o que acontece lá no morro.
Porque talvez eu não me arrisque a entrar lá nem por um entorpecente que me faça esquecer os monstros.
Pois nem mesmo os malditos monstros se arriscam a chegar perto do perigo.
Do caos que eles criam enquanto você dorme.
E enquanto você vacila o sistema fica mais nervoso.
Traga às suas lentes a imagem lá de baixo.
Porque chegamos a um ponto da nossa miopia em que até o muito perto parece muito distante.
O inferno, a grota, o sangue me lembra que estávamos vivos.
Antes daquele disparo, de toda essa disparidade.
O assassino não suja as mãos de sangue.
Escolhe qualquer vítima pra estampar os jornais.
A chamam de assassina, desviam a culpa do monstro disfarçado de gente
Que tem como armas, palavras, e um rosto sorridente.
Está naquilo que você não vê porque você não saber ler.
Você sabe, no máximo, juntar as palavras.
Mas da janela, eu vejo a cena crua, em tempo real e sem maquiagem.
Mostre-a de um ângulo ainda mais ácido.
Misture tragédia com sarcasmo.
E traga as telas o que acontece lá no morro.
Porque talvez eu não me arrisque a entrar lá nem por um entorpecente que me faça esquecer os monstros.
Pois nem mesmo os malditos monstros se arriscam a chegar perto do perigo.
Do caos que eles criam enquanto você dorme.
E enquanto você vacila o sistema fica mais nervoso.
Traga às suas lentes a imagem lá de baixo.
Porque chegamos a um ponto da nossa miopia em que até o muito perto parece muito distante.
O inferno, a grota, o sangue me lembra que estávamos vivos.
Antes daquele disparo, de toda essa disparidade.
O assassino não suja as mãos de sangue.
Escolhe qualquer vítima pra estampar os jornais.
A chamam de assassina, desviam a culpa do monstro disfarçado de gente
Que tem como armas, palavras, e um rosto sorridente.
Está naquilo que você não vê porque você não saber ler.
Você sabe, no máximo, juntar as palavras.
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